Depois que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) foi acusada de realizar grampos telefônicos e flagrar uma conversa entre o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), descobriu-se que até a PRF (Polícia Rodoviária Federal) vem bisbilhotando conversas alheias, segundo revela reportagem de "Época" desta semana.
Em 2006, a Polícia Rodoviária em Mato Grosso do Sul comprou, por R$ 177.900, três equipamentos para a "captação, interceptação, rastreamento, monitoramento e cruzamento de conversações telefônicas digitais e analógicas".
A reportagem desmente a declaração do atual diretor-geral da PRF, Hélio Cardoso Derenne, à CPI das Escutas Telefônicas da Câmara. "O que temos são aparelhos de armazenamento de dados. E esse, somente esse equipamento, esse você compra... Qualquer cidadão brasileiro pode comprar."
Além de MS, em pelo menos mais quatro Estados as superintendências da Polícia Rodoviária disporiam de equipamentos semelhantes. É o que diz o relator da CPI do Grampo, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA): "Já recebemos denúncias de que a Polícia Rodoviária dispõe até de maletas para fazer grampos de celulares. Ela está fazendo um trabalho ilegal."
A Constituição define que apenas as polícias judiciárias Polícia Federal e polícias civis estaduais podem gravar conversas telefônicas, com autorização da Justiça.
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Luciêne Sampaio
Opinião TV Canal 13