A produção traz como protagonista Marcelo Ribeiro
A Brasileirinhas lança nesta sexta-feira o filme pornô Estranho Amor nas locadoras especializadas de todo o País. A produção traz como protagonista Marcelo Ribeiro, que contracenou com a apresentadora Xuxa no longa-metragem Amor Estranho Amor (1983), de Walter Hugo Khouri.
A imagem de Marcelo Ribeiro ficou conhecida como a do menino que troca carícias íntimas com a personagem da apresentadora Xuxa no drama que se popularizou pela Internet como um pornô, ainda que esta seja uma reputação completamente controversa.
Lenda ou não, Amor Estranho Amor tornou-se material raro e com o advento da Internet, as poucas cenas picantes da produção começaram a pipocar por toda a rede.
Partindo desta popularidade que o ator, agora técnico em informática, foi convidado pela produtora Brasileirinhas a protagonizar o pornô Estranho Amor, referência óbvia ao clássico dos anos 80.
Em entrevista ao Terra, Ribeiro disse o porquê de ter recorrido ao longa-metragem e como foi todo o processo antes, durante e depois das filmagens.
Você assinou contrato no ano passado diante de muitos comentários na mídia. Como foi finalmente chegar no motel e rodar as cenas? O que acontece nos bastidores de uma produção pornô?
Foi muito diferente do que eu imaginava. Eu confesso que por mais que eu tenha jogado com o lado profissional, senti muita insegurança. Você é único ali. No quarto deveriam ter cinco pessoas, contando a atriz, o câmera e o iluminador. Nos bastidores, era tudo muito profissional. Não peguei o telefone de nenhuma delas. Só não teve constrangimento porque elas eram muito mais experientes para lidar com a situação.
Por conta deste nervosismo, chegou a recorrer a medicamentos para rodar as cenas?
No primeiro dia eu acabei tomando um comprimido, mas tive um efeito colateral. Comecei a passar mal, ter dor de cabeça e tive que parar. Eu nunca tinha tomado, meu organismo não estava acostumado.
Qual foi a reação dos seus filhos e família em relação ao filme? As pessoas no seu trabalho chegaram a fazer comentários?
Eu nunca escondi isso de ninguém, nem mesmo dos meus filhos. É muito mais fácil todos ao meu redor ficarem preparados do que vai acontecer. As pessoas que eu devia preparar com mais seriedade eu preparei. Quem eu deveria comentar e levar pro lado mais brincalhão, também o fiz.
Como você contou que iria fazer o filme para seus filhos?
Antes de assinar contrato, levei os dois para uma viagem e disse o que estava pretendendo fazer. Em primeiro lugar, tentei fazê-los entender do que se trata. Para mim, é um gênero como outro qualquer. Pedi que eles jamais assistissem esse filme sem companhia. Quando eles estiverem maiores, mostrarei e veremos juntos.
A reação de ambos foi normal? Não houve nenhum questionamento?
Não, eles entenderam numa boa. Eu acho muito mais pesado eu estar na sala às 20h com meus filhos menores de idade e ver peito e bunda gratuitamente. Eles não são obrigados a assistir um filme pornô, ninguém é. As pessoas assistem porque querem assistir e eu fiz com essa consciência. É melhor do que ser pego de surpresa no horário nobre da TV aberta.
Nos Estados Unidos e alguns países da Europa, é muito comum ver atores pornôs serem consagrados por suas atuações diante das telas. Eles se tornam verdadeiros astros. Se houvesse oportunidade, poderia seguir este caminho, mesmo diante do preconceito da sociedade?
Com sinceridade, eu ainda não defini exatamente o que eu vou fazer em relação ao lado artístico. Eu recebi esta oportunidade e sei que existe a possibilidade de eu continuar fazendo. Se eu dissesse que filmes pornôs não têm nada a ver comigo, estaria sendo demagogo. Eu sempre quis atuar, ainda pretendo estudar, fazer teatro. Não sei como vai ser isso daqui pra frente.
Quando Amor Estranho Amor foi proibido, você e sua família tentaram correr atrás de uma forma que impedisse a medida?
Muito pelo contrário. Amor Estranho Amor foi lançado em 1982 e um ano depois meu pai morreu. Tive que sair desse mundo, trabalhar, garantir meu dinheiro. Nunca tive tempo de correr atrás disso, embora eu quisesse retornar, das mais variadas formas. Não nego, porém, que o filme abriu muitas oportunidades para mim, até hoje. Na época que ele foi proibido, eu tinha 20 anos de idade. Fiz um trabalho, recebi meu cachê e ponto final. Não valia a pena correr atrás e julgar o resultado. Sucesso ou fracasso, eu não tinha o direito de recorrer a nada.
Você acha que passou a ser mais conhecido depois que a Internet e sites de relacionamentos, como o Orkut, começaram a se popularizar? As pessoas te procuravam antes de existir portais que disponibilizassem as imagens do filme?
Elas procuravam, numa proporção bem menor. Eu recebia inúmeras propostas para dar entrevistas. De uns tempos para cá, prestei serviços para empresas grandes e elas sempre comentavam e faziam perguntas. Quando surgiu o Orkut, meu livro estava praticamente pronto, mas com as entrevistas na mídia tudo começou a crescer. Não acho, porém, que ele foi responsável pelos comentários em relação ao filme.
Por que você optou pela participação nos lucros das vendas do DVD em uma época em que a indústria está em crise? É cada vez mais fácil o acesso a cópias piratas, especialmente no caso dos filmes pornôs.
Eu sou muito claro com as coisas que eu faço, procuro ser o mais honesto possível. Tive que acreditar no meu potencial, não tenho feito nenhum trabalho que me faça aparecer na mídia de forma real. Sendo assim, nenhum valor alto que eu pedisse justificaria o fato de que eu não sou um astro. Preferi o contrato de royaltie, até porque ele serve de termômetro do que vou fazer daqui para frente. Se eu disser que não foi pela grana, estaria mentindo. Posso dizer que eu fui atraído, também, pela oportunidade que a produtora me deu de contar minha história e responder a pergunta que todos faziam: 'esse filme te traumatizou?'. Acho que já sabem a resposta.