Quase dois anos e meio após o desaparecimento de Madeleine McCann, caso que comoveu milhares de pessoas por todo o mundo, um casal brasileiro vai ajudar na campanha pelas buscas à menina britânica. O arquiteto Pedro Ribeiro, 58, e a psicóloga Adriana Lins de Albuquerque Coimbra, 49, vão a Aparecida (SP) nesta segunda-feira, Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças, para distribuir panfletos com imagens da criança e número de telefone e endereços eletrônicos para enviar informações sobre o paradeiro de Madeleine.
Adriana contou ao UOL Notícias que a panfletagem foi um pedido dos pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann. O casal britânico é amigo da irmã e do cunhado de Pedro há cerca de cinco anos, quando Gerry e o parente dos brasileiros fizeram juntos um treinamento de cardiologia em Amsterdã, na Holanda. Desde então, diz a brasileira, as duas famílias passam o Natal juntas.
"Minha cunhada diz que a menina era realmente uma graça", conta.
O contato entre Kate e Gerry McCann e o casal brasileiro, que vive em São José dos Campos (SP) com os três filhos, foi feito pela internet. "A Kate fez o contato com o Pedro por e-mail pedindo a divulgação. Eles [os pais de Madeleine] tem alguns indícios de que ela está viva, mas não podem falar sobre as investigações", contou a psicóloga.
"A gente sempre ouve falar nesse tipo de história, mas quando é uma coisa mais próxima e você tem condição de ajudar... De repente estávamos envolvidos na história pela proximidade da Kate com a minha cunhada", disse Adriana. "Meu marido se comprometeu a fazer essa divulgação pra eles."
Segundo Adriana, Kate teva a ideia de pedir a panfletagem na cidade da região do Vale do Paraíba quando soube da festa da padroeira do Brasil, que deve atrair cerca de 137 mil pessoas ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida somente neste dia 12. Durante todo o feriado prolongado, de 350 mil a 400 mil romeiros devem passar pela Basílica de Aparecida, de acordo com estimativa da administração da igreja.
Pedro e Adriana levarão à celebração cerca de 10 mil cartazes e santinhos iguais aos que já foram distribuídos em Portugal neste ano. O cartaz é igual ao divulgado em maio pelos pais de Madeleine. Traz uma imagem com a aparência que a garota deveria ter atualmente, confeccionada por artistas forenses do Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e Exploradas dos Estados Unidos.
Madeleine desapareceu em maio de 2007, dias antes de completar 4 anos de idade, enquanto sua família passava as férias no Algarve, em Portugal. Depois de um ano e dois meses de investigação sobre o desaparecimento da menina e sem pistas sobre o que realmente teria acontecido, a polícia de Portugal suspendeu as investigações e o Ministério Público arquivou o caso. A família McCann contratou uma equipe de detetives particulares e continua a busca pela criança, que hoje estaria com seis anos.
Adriana acha que ainda é possível encontrar Madeleine, lembrando que a manchinha escura no olho direito da menina poderia ajudar a identificá-la. "Estou aderindo [a esta campanha] primeiro pela esperança de encontrar a menina. Podem ter trazido ela para o Brasil porque era mais fácil de entrar, em vez de continuar na Europa. Ela pode estar em qualquer lugar do mundo, se estiver viva", explicou. "Eu acredito que uma menininha tão linda quanto ela, ninguém ia pegar pra matar; devem ter pegado para criar mesmo."
O casal de São José dos Campos conseguiu autorização da Basílica de Aparecida para distribuir os panfletos no estacionamento da igreja. O padre Darci Nicioli, reitor do Santuário de Aparecida, contou que ofereceu ajuda para entregar o material aos fiéis, mas como foram contatados muito em cima da data, até a tarde de sexta-feira (9) ainda não havia sido definida a forma de distribuição.
Perguntado sobre a efetividade desta panfletagem na festa de Aparecida para as investigações sobre o paradeiro de Madeleine, o padre Darci disse que a igreja não entra neste mérito, e que este tipo de ajuda também já foi dado a outras pessoas.
"Posso imaginar que no coração de uma mãe que procura um filho, vale tudo", explicou.