As unidades de tratamento de pacientes renais de Crato e Barbalha estão funcionando com capacidade máxima, por conta da transferência do serviço de Juazeiro do Norte, desde a interdição da unidade de hemodiálise do Hospital Santo Inácio, no município. O fechamento aconteceu após irregularidades de funcionamento constatadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Vigilância Sanitária do Estado. Segundo a direção do hospital, a meta é que o setor volte a funcionar em menos de 30 dias.
Dos 45 pacientes que se encontravam na hemodiálise do Santo Inácio, 28 estão dando continuidade ao tratamento na Clinirim, em Barbalha, no Hospital Santo Antônio, e 11 na Unirim, em Crato, no Hospital Raimundo Bezerra de Farias. Os serviços são referência nesses municípios, mas a unidade de Juazeiro não está com capacidade de atendimento dos pacientes sequer do município.
Além dos 28 que estão sendo atendidos em Barbalha, mais 25 já faziam tratamento no local. São mais de 50 pacientes renais só no município de Barbalha, hoje com capacidade para 200, e que recebe pessoas de outros municípios da região. Ainda está com usuários de Icó, que em breve serão transferidos para a unidade inaugurada recentemente em Iguatu.
A Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte interveio para a negociação do repasse de pacientes, evitando maiores transtornos com a paralisação. Segundo portaria do Ministério da Saúde, mesmo em Crato, com capacidade para receber até 240 pacientes, só devem ser atendidos até 200 pessoas. Estão em tratamento atualmente 217, com os 11 de Juazeiro. A dificuldade não tem sido maior, conforme o médico nefrologista, Valêncio Carvalho, por conta da transferência de 30 pacientes de Iguatu, agora em tratamento na nova unidade inaugurada naquele município. Mas, ainda recebe pacientes do interior do Pernambuco e da Paraíba, além de outras cidades do Ceará. A unidade é a única que realiza transplantes no Cariri. O número de pacientes voltados para a hemodiálise, conforme o médico, já está no limite.
Segundo o diretor do Hospital Santo Inácio, Marco Aurélio Malzoni, há menos de um no cargo, várias adequações estão sendo feitas no local. No caso da unidade de hemodiálise, o aviso de saída de dois médicos do setor foi um dos principais problemas constatados pela Anvisa. Conforme o diretor, um irá para a Bahia e a médica realiza trabalhos em instituição de ensino. “Essas situações foram interpretadas como se na unidade não tivesse médicos”, diz o diretor.
Outras situações que ele considera simples de serem resolvidas são a adequação de uma porta de banheiro, que deve ser mais larga e a refrigeração na parte de osmose. Para o diretor, não são situações difíceis de serem resolvidas. Ele informa que dentro de um processo de reformulação do hospital outros serviços serão inseridos, como a neurocirurgia, com serviço referenciado apenas em Barbalha, área de urgência e emergência no setor de ortopedia e bucomaxilo.
O diretor da Associação dos Paciente Renais do Cariri, José Mário Teles, há mais de um ano chamou a atenção para a situação da unidade de hemodiálise de Juazeiro do Norte. Ele disse que havia lençóis rasgados, ar condicionado com defeito, entre outras situações.
A enfermeira chefe da unidade de tratamento do Hospital Santo Antônio, Úrsula Philipona, no município de Barbalha, afirma que os pacientes de Juazeiro começaram a ser atendidos na Clinirim desde a última quarta-feira.
Nos três dias seguidos houve superlotação até a adequação dos pacientes. Ainda faltam ser transferidas pessoas para o município de Iguatu.
A inauguração da unidade no Centro-Sul, no mesmo período, coincidentemente acabou facilitando a vida dos pacientes de Juazeiro.
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Luciêne Sampaio
Opinião TV Canal 13