O cinegrafista Valter Lessa de Oliveira, 53 anos, foi executado na tarde de sábado, com quatro tiros na cabeça, em um ponto de ônibus na Via Expressa, periferia de Maceió. Segundo o Comando de Operações da Polícia Militar (Copom), o principal suspeito do crime é o traficante conhecido como Aranha, e um dos motivos para o assassinato seria o fato de o cinegrafista ter cedido imagens do criminoso a emissoras do Estado.
Testemunhas contam que Oliveira foi abordado por um veículo Gol branco, quando um homem desceu do carro e passou a discutir com ele. Durante o desentendimento, o acusado afirmou que o jornalista estava falando demais e efetuou os disparos. Oliveira trabalhou em várias emissoras de TV de Alagoas e atualmente atuava como cinegrafista da TV Assembléia e do Centro de Ensino Superior de Maceió (Cesmac).
Amigos e parentes disseram que ele era uma pessoa tranqüila, não tinha inimigos e não costumava se meter em confusões. O crime chocou os profissionais de comunicação alagoanos.
Ontem, a Polícia Civil do Estado ainda não tinha pistas do paradeiro do traficante. Apesar da principal suspeita, a polícia trabalha também com a possibilidade de Oliveira ter sido morto ao reagir a um assalto. O cinegrafista tinha ido buscar o aluguel de uma casa dele no Conjunto Graciliano Ramos e estava voltando para sua residência, no Farol.
"Como não foi encontrado dinheiro no bolso dele, não sabemos se ele recebeu não o aluguel ou se roubaram o dinheiro. Por isso, trabalhamos também com a possibilidade de latrocínio ou vingança", explicou a delegada Maria Aparecida.
No Instituto Médico Legal, parentes do cinegrafista estavam indignados com o crime, mas não sabiam os motivos do homicídio. Manoel Bezerra Gomes, enteado da vítima, disse que o padrasto era tranqüilo, sem aparentes inimizades. O jornalista Jorge Moraes, da assessoria de comunicação do Cesmac, foi enfático ao afirmar que Oliveira era uma "pessoa de bem". Todos disseram desconhecer ameaças sofridas pelo cinegrafista.
Durante o enterro do corpo de Oliveira, ontem à tarde, no Cemitério Parque das Flores, em Maceió. Seus parentes também descartaram qualquer envolvimento seu com a Operação Taturana, da Polícia Federal, que desbaratou uma quadrilha envolvida no desvio de R$ 200 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas.
Após a operação, Oliveira é o segundo funcionário da Assembléia assassinado, em menos de uma semana. Abelardo Fernandes da Rocha já havia sido morto a tiros na última quinta-feira.
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Opinião TV Canal 13
Luciêne Sampaio