O critério de distribuição das cestas de alimentos do Governo para as centenas de famílias desabrigadas pelo rompimento da barragem de Algodões I no município de Cocal da Estação, é político. Esta tarefa foi entregue a pessoas ligadas ao Governo e a Prefeitura de Cocal, que dentre outras atividades, foram candidatas a vereador nas últimas eleições e aproveitam para entregar os alimentos somente aquelas famílias de sua simpatia.
A denúncia partiu das próprias famílias que estão se sentindo discriminadas sem contar as dificuldades já enfrentadas por causa do rompimento da barragem que deixou muitas delas sem casas e sem outros bens.
No povoado Franco, que fica a menos de três quilômetros da barragem muitas famílias estão revoltadas com dois homens identificados como Felipe Brás e João Garapa, ligados ao município e que fazem a distribuição das cestas encaminhadas pela Secretaria da Defesa Civil do Estado.
Segundo o lavrador João Honório Alves Neto, 34 anos, que por causa da barragem está morando numa tenda de plástico, Felipe Brás sempre que chega com as cestas vai distribuindo para umas famílias e outras não, sendo a ele uma das mais prejudicadas.
Na semana passada Felipe, candidato a derrotado a vereador e ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cocal, por pouco não agrediu a dona de casa Clemilda Maria Machado, 30 anos, mulher de Honório.
Ao ver o homem passar com várias cestas, distribuir para muita gente, inclusive a quem não estaria tão necessitado quanto a sua família, Clemilda esperou Brás retornar após a distribuição das cestas para perguntar o porquê dela não ter recebido os alimentos.
Este fato foi o suficiente para que o representante da Defesa Civil investisse contra a dona de casa com agressões morais. “Se quis receber a cesta tive que ir até Cocal que fica a mais de 12 quilômetros de distancia”, informou o marido da vítima.
As denúncias do casal foram confirmadas por outros moradores do povoado. “O Brás conhece todas as comunidades daqui. É ex-dirigente do sindicato, já rodou o município todo quando estava pedindo votos e ficou com um ranço com quem não votou nele”, afirmou um outro morador que também está sem casa, mas que foi alojado no Grupo Escolar Generosa Vieira de Vasconcelos, que fica na margem da PI que liga Cocal a Cocal dos Alves e a poucos quilômetros da barragem.
O pior é que as famílias praticamente não têm a quem reclamar porque os assessores mais graúdos do Governo, principalmente da Sasc, já foram embora e ficaram apenas algumas pessoas para o cumprimento das ordens. A reportagem ainda esteve a procura do prefeito de Cocal, na tarde de sábado para obter a sua versão sobre as denúncias, mas Fernando Sales, o “Fernandinho” não se encontrava no município.
Outra queixa está relacionada ás cestas que não são suficientes para alimentação das famílias. Segundo um morador, as cestas são distribuídas de 15 em dias e quando a família é numerosa, os alimentos só não acabam porque as famílias recebem de entidades filantrópicas e das igrejas.
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Luciêne Sampaio
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