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Ex-reitor da UnB é acusado por formação de quadrilha

O Ministério Público Federal do Distrito Federal denunciou à Justiça Federal nesta quinta-feira o ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland e o ex-diretor da Editora UnB Alexandre Lima por formação de quadrilha e peculato. As penas variam de um a 12 anos de prisão.  

A Procuradoria acusa o ex-reitor de "montar uma organização criminosa para desviar recursos públicos arrecadados pela UnB e repassados às suas fundações de apoio". A denúncia se estende a dois ex-funcionários da Editora UnB: Elenilde Duarte e Cláudio Machado.  

Segundo a denúncia, as irregularidades incluem supostos desvios em convênios entre a Fubra (Fundação Universidade de Brasília) e a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) para prestação de serviços de saúde às comunidades indígenas Yanomami, em Roraima, e Xavantis, em Mato Grosso.  

A Procuradoria diz que a universidade subcontratou, sem licitação, a Fubra e a Funsaúde para executar as atividades. os procuradores calculam os repasses em cerca de R$ 67 milhões.  

Porém, segundo a acusação, o dinheiro teria sido usado para "satisfazer os interesses pessoais dos denunciados, como pagamento de festas, viagens, jantares, móveis e eletroeletrônicos para uso particular dos envolvidos, entre outros".  

Decoração  

Em abril, os promotores do Ministério Público do DF e Territórios protocolaram uma ação de improbidade administrativa contra Timothy e o ex-decano de administração da UnB Erico Paulo Weidle. Os dois são acusados de usar recursos destinados ao financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento institucional da UnB para decorar o apartamento funcional utilizado pelo então reitor.  

Na ação, os promotores pedem desde a condenação do reitor e do ex-decano ao ressarcimento integral do dano causado, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos por até cinco anos e ao pagamento de multa civil.  

De acordo com a ação, cerca de R$ 470 mil foram gastos para mobiliar e decorar o imóvel. Além disso, R$ 72 mil foram usados para comprar um automóvel de uso exclusivo do ex-reitor. Todos os gastos foram custeados pela Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos).  

Pressionado, Timothy renunciou ao cargo de reitor em abril. Ao lado dele, os decanos que ocupavam cargos de chefia também abriram mão de suas funções. Houve inúmeros protestos de alunos e em algumas vezes, professores também participaram das manifestações.  

Em meio às denúncias, os estudantes da UnB ocuparam o prédio da reitoria por 15 dias. Foi escolhido outro reitor, Roberto Aguiar, que está no cargo temporariamente.  

A assessoria da Unb disse que ninguém comentaria o caso. A reportagem tentou contato com os acusados, mas não localizou nenhum deles para comentar o assunto.  

Folha
03/07/2008 19:34h
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