Familiares da menina de apenas 7 meses, que morreu na noite de quinta-feira (20) com suspeita de dengue, afirmaram que, ao procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Bangu, na Zona Oeste do Rio, não havia pediatras.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria estadual de Saúde, a médica escalada para estar na unidade na manhã de quinta-feira faltou. Ainda segundo a secretaria, caso a pediatra não apresente uma justificativa, ela pode receber uma advertência ou até mesmo ser demitida.
A doença teria sido diagnosticada apenas no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste do Rio. O boletim médico indica que a causa da morte de Ana Clara Gonçalves foi dengue, segundo a diretoria do hospital. A menina foi enterrada na tarde desta sexta-feira (21).
De acordo com o diretor-geral da unidade, César Fontes Rodrigues, Ana Clara, além do quadro de dengue, tinha outras complicações, como pneumonia.
“A dengue afeta o sistema imunológico, por isso, outras doenças podem se manifestar durante o contágio pelo Aedes aegypti”, explicou Rodrigues.
Doença ainda precisa ser confirmada
Segundo ele, a morte por dengue ainda precisa ser confirmada com outros exames e análises para entrar nas estatísticas oficiais. A mãe da menina, Letícia Gonçalves da Silva, contou que a busca pelo atendimento começou há dez dias. Com febre alta, Ana Clara foi levada a dois postos de saúde antes de ser atendida no Albert Schweitzer.
A família de Ana Clara mora em um sítio no bairro de Bangu, na Zona Oeste da cidade. Segundo os moradores, um vizinho, sargento do Exército, morreu de dengue hemorrágica há pouco mais de um mês.
Gabinete de crise se reúne segunda-feira
Para que os governos municipal, estadual e federal busquem saídas para combater a epidemia, o Ministério da Saúde criou um gabinete de crise. A primeira reunião, no entanto, será realizada apenas na próxima segunda-feira (24). Os secretários nacionais de Atenção à Saúde, José Noronha, e de Vigilância Sanitária, Gerson Penna, que atuarão em conjunto com autoridades do governo estadual, deverão participar do encontro.
Medidas
Entre as medidas anunciadas na quinta-feira (20) para combater o mosquito transmissor da doença estão a contratação de pessoal em caráter emergencial e a implantação de centros de hidratação para pessoas com dengue que precisam tomar soro.
Os centros deverão a funcionar a partir da próxima semana em três locais da Zona Oeste: no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) de Santa Cruz e Campo Grande.
O governo vai montar grandes tendas com ar-condicionado e até 80 poltronas em cada uma, para que as vítimas da dengue possam receber soro na veia. A medida pode evitar o agravamento da doença.
O reforço também será feito em unidades da prefeitura. Pelo menos 50 leitos de hospitais que eram usados para pacientes internados por outras doenças serão destinados a vítimas da dengue.
O município diz que médicos e enfermeiros estão sendo treinados para diagnosticar a doença de forma mais rápida. E que 900 novos profissionais estão sendo contratados.
Disque dengue
A Secretaria estadual de Saúde informou que vai lançar na semana que começa neste domingo (23) uma espécie de disque-denúncia da dengue. Moradores poderão ligar para um número gratuito – ainda não divulgado – e informar sobre áreas que podem estar infestadas com as larvas do mosquito que transmite a doença.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, os bombeiros serão responsáveis por ir ao local e conferir a gravidade do problema. Caso a entrada nesses imóveis seja negada, – após a terceira notificação ao responsável pela casa e se a região em questão for uma das consideradas com surto da doença – os agentes tem permissão para entrar nas residências. O morador ainda pode ser multado, segundo projeto de lei aprovado pela Alerj, e proposto pelo governador Sérgio Cabral.
Secretaria orienta uso de calça, meia e sapato
Devido ao grande número de crianças afetadas pela doença, a Secretaria municipal de Saúde vai lançar, na segunda-feira (24), uma campanha recomendando o uso de calças compridas, meias e repelente, já que o mosquito costuma picar a perna e o tornozelo. Quinhentos mil cartazes serão distribuídos.
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Mauro Veras