Os frequentes reajustes no preço do álcool levam o consumidor a retornar para a gasolina
O preço do álcool anidro dispara em Fortaleza, chega a R$ 2,19, por litro, em alguns postos de combustíveis da Capital, e já se aproxima dos valores praticados para a gasolina comum, que ainda pode ser encontrada por até R$ 2,42, uma diferença de apenas R$ 0,23, ou de pouco mais de 10%, entre os dois combustíveis.
Há pouco mais de um mês, no fim do ano passado, a diferença entre etanol e gasolina em Fortaleza superava os 30%, o que mantinha o consumo do combustível verde mais atrativo do que o fóssil, vantagem que já não existe mais.
Nos últimos 40 dias, o preço do álcool vinha sendo elevado, mas em pequenos percentuais, com alterações semanais em torno de R$ 0,05, por litro. Na tarde de ontem, porém, o preço do produto "explodiu", com reajustes mínimos de R$ 0,10, e de até R$ 0,20, por litro.
De 20 postos visitados na tarde de ontem, pela reportagem, no setor leste da cidade, 18 já haviam alterado, para mais, os preços nas bombas e nos letreiros. Em dois deles, o aumento foi aplicado no momento exato em que a equipe do jornal passava pelos estabelecimentos.
Acima da casa dos R$ 2,00, os preços do álcool anotados ontem, nos postos de Fortaleza, já são maiores até mesmo do que os verificados em vários municípios do Interior cearense, apesar da grande maioria das distribuidoras estarem instaladas em Fortaleza.
No município do Crato, por exemplo, distante 506 quilômetros ao sul da Capital , o preço médio do álcool, na última sexta-feira, girava em torno de R$1,97, apenas R$ 0,04, a mais, do que os R$ 1,93, em média, cobrados pelos postos de Fortaleza, no mesmo dia. Os aumentos consecutivos nos preços do etanol, estão mudando o hábito e a preferência do consumidor cearense. "Estamos retornando para a gasolina", um combustível mais poluente, lamentou a comerciante Miranice Braga. Ao abastecer seu veículo "flex", em um posto de bandeira Petrobras, no Bairro Dionísio Torres, ela disse que não compreendia o que se passa no mercado nacional do etanol. O governo não explica, as distribuidoras não falam", protesta.
"Isso já era esperado, porque o governo está tirando os incentivos ao álcool e privilegiando o consumo da gasolina", explicou o professor, Marcos Colares. Para ele, a tendência é de os preços dos dois combustíveis se igualarem. "Quem comprou um carro flex, já ganhou por um bom tempo, agora não vai ganhar mais", assinala o docente.
Calculadora na mão
A frentista do posto Reis Magos, na Aldeota, Geisa Santana de Almeida, confirma a mudança de comportamento do motorista. "Antes ele chegava e mandava colocar álcool, agora muitos já andam com uma calculadora na mão", relata, alertando que a contínua elevação dos preços do álcool está espantando a clientela". "Os clientes estão migrando para a gasolina", reforça o gerente do Posto Sobral & Palácio, no bairro Dionísio Torres, Gilberto Santiago.
Segundo ele, em janeiro último, as vendas de etanol recuaram de 55 mil litros, para 36 mil litros, no estabelecimento, uma queda de 35%. "E a tendência é cair mais", lamenta.
Culpa de quem?
O novo presidente do Sindipostos, Guilherme Meireles, mantém o discurso e transfere para os usineiros e governo, a responsabilidade pela alta nos preços do álcool. "Eles (usineiros) estão preferindo produzir açúcar para exportar e o governo não intervém", rebate o empresário. "Na mesma moeda", a população espera que com a redução de R$ 0,08 da Cide, os postos baixem os preços da gasolina.
Enquete
Reação
"Não vale mais a pena abastecer com álcool. Estamos retornando para a gasolina, porque os preços estão quase iguais"
Miranice Braga
Comerciante
"Isso já era esperado, porque o governo está retirando os incentivos do álcool. A tendência é os preços ficarem iguais"
Marcos Colares
Professor
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