Sete mandados judiciais de reintegração de posse devem ser executados pela Polícia Militar nos próximos dias. A medida vai atingir mais de mil famílias, que hoje ocupam terrenos particulares. Só no Alto da Ressurreição, na zona Sudeste, são 960 famílias que devem deixar o local na próxima semana. A ocupação começou a pouco mais de um mês e já há mais de 40 casas construídas no terreno, que pertence a uma construtora. "Estamos com uma média de 15 mandados, mas sete têm prioridade neste momento. Este é o caso dos terrenos privados, onde o poder público não interviu, e todas as possibilidades foram esgotadas", destacou o coordenador adjunto de Gerenciamento de Crises e Direitos Humanos da Polícia Militar do Piauí, capitão Március Andrade.
De acordo com ele, ainda está prevista a desocupação de um terreno da Vila Urbano Eulálio (ou loteamento Vitória), ocupado desde 2007, e, no Memorare, onde se encontram 20 famílias. Na Vila Santa Bárbara também há um terreno pertencente a uma empresa de transportes, mas que hoje está ocupado por 50 famílias. A PM também deve cumprir um mandado no município de Nazária, onde 200 famílias devem ser atingidas. O capitão explica que muitas vezes há intervenção do poder público, que tenta comprar o terreno e garantir a permanência dos seus ocupantes. "No caso de Nazária, houve uma sinalização do poder público e só vamos cumprir com a ordem judicial quando sair o resultado dessa negociação", explicou.
Depois que a Justiça solicita reforço policial para cumprimento da medida, os policiais iniciam um trabalho de conscientização junto aos moradores. Porém, na maioria dos casos, os moradores resistem e é preciso usar a força para obrigá-los a deixar a área. A coordenadoria da Polícia Militar responsável pelo assunto é composta por sete militares, que atuam neste processo de conscientização. "Quando é necessário, pedimos reforço", diz o coordenador adjunto. O tempo para o cumprimento das ordens judiciais é relativo e dependem do tamanho da área, do número de famílias, enfim, da complexidade da situação.
Na Vila Ferroviária, os moradores afirmam que não vão desocupar a área. "Realizamos um mutirão e limpamos toda a área. O terrenos está abandonados há vários anos e nós não invadimos, mas sim, ocupamos. Ninguém vai sair daqui", garantiu o líder comunitário José Renato Santiago. Ele afirmou que já foi comunicado sobre a existência da ordem judicial, mas os moradores vão resistir. No terreno, há ainda pessoas que vieram de outros Estados, como Maranhão e Ceará. Uma senhora, que não se identificou, conta que veio de São Luís-MA, depois que sua casa ficou alagada.