Dois crimes ligados ao tráfico de entorpecentes foram registrados nas últimas horas em São Luís. Nos últimos meses, a polícia já verificou outros casos semelhantes e acredita que a guerra por pontos de venda de merla e maconha tem acirrado os confrontos, causando mortes. “Os grupos de traficantes estão cada dia mais organizados e buscam fortalecimento matando devedores ou intrusos”, comentou um policial. Na noite de quinta-feira, Daniel Costa, de 25 anos, conhecido como distribuidor de drogas da área do Maiobão e Vila Cafeteira, foi morto na Vila Roseana Sarney, onde residia há seis meses. Na tarde de ontem, o corpo do “olheiro” Chrystian Arllysson Câmara Silva, de 18 anos, foi encontrado, baleado, em uma cova rasa, no conjunto São Raimundo. Ele trabalhava para o traficante Júnior Catita, conforme foi levantado pela polícia.
O corpo do torneiro mecânico Chrystian Arllysson Câmara foi encontrado na manhã de ontem, em um matagal no conjunto São Raimundo, área onde residia, na avenida Tibiri. O cadáver, com perfurações de bala no supercílio e peito esquerdos, estava enterrado, com apenas a cabeça à mostra. De acordo com peritos do Instituto de Criminalística (Icrim), as costas da vítima apresentavam manchas vermelhas e arranhões, sugerindo ter sido arrastado antes da morte. Arllysson Silva deixou um filho de 6 meses.
Conforme o pai da vítima e também torneiro mecânico, Luís Fernando Sousa Silva, de 42 anos, Arllysson Silva saiu de casa, na última quinta feira, às 21h30 e não voltou. Pessoas da comunidade, presentes no local do achado, que fica entre as ruas 39 e Vicente Fortes, disseram ter ouvido disparos na noite do desaparecimento do rapaz. “Algumas pessoas ouviram tiros, mas ficaram com medo de se manifestar porque aqui é área de boca de fumo”, mencionou Ilverlando Santana, que trabalha na área.
Na manhã de ontem, a mãe de Arllysson Silva, Keila Câmara Marques, recebeu informações de que o filho estaria morto. “Não acreditamos, mas avisamos ao meu marido. Depois, outra pessoa também trouxe essa informação para ele. Algumas horas depois, por volta do meio-dia, encontramos o cadáver”, detalhou a mãe da vítima. De acordo com levantamentos da polícia, a morte teria ocorrido em um acerto de contas entre traficantes. “São comentários correntes, nada de oficial”, ressaltou o soldado Sousa Lima, da Polícia Militar.
Luís Fernando Sousa disse que, há quatro meses, suspeitou do uso de drogas pelo filho. “Ele estava debilitado, emagreceu rápido. Mas depois, quando passou a trabalhar comigo, ele só vivia em casa e trabalhava”, argumentou. Ele frisou não acreditar que Arllysson ainda estivesse envolvido com drogas e esse tivesse sido o motivo de sua morte.