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Médicos param pela quarta vez e prefeitura ameaça demitir

DiáriodoNordeste
Os médicos do IJF fazem uma triagem dos pacientes
Das 19 horas de sexta-feira às 15 horas de ontem, 974 pacientes deram entrada no Instituto Doutor José Frota (IJF). Um fim de semana considerado “pesado” pelo chefe da equipe médica, Jonas Araújo, e agravado pelo número reduzido de anestesiologistas e pela falta de tomógrafos. Hoje, a partir das 7 horas, apenas novos casos de urgência e emergência serão atendidos, além dos pacientes já internados. Em greve, os médicos do IJF farão uma triagem dos pacientes, de acordo com a classificação de risco.

A Prefeitura de Fortaleza, em nota divulgada ontem, disse que já está sendo movida ação judicial solicitando a ilegalidade da greve, o “que pode gerar abertura de sindicância administrativa. Por conseqüência, e em último caso, isso pode resultar na demissão dos envolvidos na mobilização”. Na opinião do médico Jonas Araújo, uma atitude contraditória. “Líderes trabalhistas agora ameaçam trabalhadores que estão lutando pelos seus direitos”.

A categoria decidiu pela greve em assembléia realizada na última terça-feira, dia 6. “Por unanimidade, com total adesão dos 442 profissionais (de todas as especialidades clínicas e cirúrgicas)”, ressalta o médico Osmar Aguiar, membro da mesa de negociação. Os médicos do IJF pedem um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) diferenciado do restante dos servidores municipais, devido ao perfil de trabalho — de maior complexidade.

Ainda em nota, a Prefeitura explica que em 17 de outubro último, em assembléia, o Sindicato dos Médicos, a Associação Médica Cearense e o Conselho Regional de Medicina deliberaram pelo fim das paralisações, sendo aprovado vencimento base de R$ 1.700,00. “Não tem sentido a Prefeitura negociar com grupos minoritários insatisfeitos com o que foi deliberado pela maioria da categoria médica”, diz a nota.

O piso salarial reivindicado pelos médicos do Frotão é de R$ 2.660,00, equivalente a sete salários mínimos e isonomia salarial para todos. Assim, conforme a categoria, os médicos que já ganham o valor do piso, por terem isonomia, serão beneficiados com regras e normas que norteiam a carreira e promoções, enquanto os sem isonomia terão seus vencimentos-base contemplados pelo piso e as mesmas regras do PCCS.

A pauta de reivindicação da categoria, entretanto, não se restringe ao PCCS. Os médicos pedem melhores condições de trabalho e equipes de profissionais completas para manter a qualidade do atendimento. Ontem, por exemplo, apenas três anestesiologistas atuavam no plantão do IJF. Sem contar com os dois tomógrafos — um quebrado e o outro funcionando com precariedade. Segundo o médico Jonas Araújo, os pacientes que necessitaram dos exames foram levados para os Hospitais Geral de Fortaleza (HGF) e de Messejana.

Apesar da greve, o médico Ramos Junior, também membro da mesa de negociação, garante que a população não será prejudicada. “Pelo contrário, com a triagem, o IJF manterá seu perfil de hospital terciário”, ressalta. A partir das 7 horas de hoje, os atendimentos eletivos (marcados previamente) — como consultas, cirurgias, exames laboratoriais e de imagem — não acontecerão. Em um dia normal, somando todas as atividades, o IJF realiza, em média, mil atendimentos por dia.

O Sindicato dos Médicos do Ceará (Simce) considera a greve no IJF legítima, mas na opinião do presidente, Tarcísio Dias, esse movimento é puxado apenas pelos 240 médicos da unidade que têm isonomia. “Nem todos concordam”, destaca Dias, acrescentando que a prioridade hoje é a votação do PCCS que já está na Câmara. “Na próxima terça, realizaremos uma reunião com os médicos do município para apresentarmos as emendas que acreditamos ser oportunas”.

A reportagem tentou falar ontem com o superintendente do IJF, Wandemberg Rodrigues. Ninguém atendeu as ligações feitas para seu celular.
Diário do Nordeste
12/11/2007 09:51h
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