O uso de novas tecnologias, como a internet e o celular, estão transformando o modo como o cérebro humano projeta o que é realidade, segundo o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que participa da sabatina realizada pela Folha nesta segunda-feira.
O evento acontece no shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, e conta com os entrevistadores Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial da Folha, Hélio Schwartsman, articulista do jornal, e Suzana Herculano-Houzel, neurocientista e colunista do caderno Equilíbrio.
"O 'timming', a relação com o tempo, é muito diferente na nova geração do que foi na nossa. A atenção, o foco que se dá a cada assunto, também mudam muito", afirmou Nicolelis. Segundo ele, as pessoas continuarão nascendo com o mesmo "tipo de cérebro", mas a relação do órgão com a realidade está em transformação.
"Antes você tinha aquele longo período na infância para criar o modelo do que é realidade, atualidade. Hoje, com essa nova geração, isso é muito diferente, mais rápido, instantâneo", diz. "As crianças, quando têm que usar o MSN, enviar SMS, práticas que têm custos associados, para não ter de pagar, começam a abreviar palavras, por exemplo."