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Piauí: Público gay de Teresina chega a 100 mil eleitores

De acordo com o grupo Matizes, formado por militantes das causas GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) Teresina tem 100 mil eleitores desse segmento. De acordo com Marinalva Santana, coordenadora do grupo, 15% do eleitorado da capital é de orientação GLBTT, e estes eleitores merecem atenção ao invés de preconceito. Muitos políticos já descobriram esse filão eleitoral e estão investindo nele, mas os dirigentes do movimento chamam atenção para o fato de que esta classe tem um voto consciente.

"Temos esse segmento excluído de políticas públicas, sofrendo historicamente a discriminação e a intolerância. Precisamos de efetiva cidadania, como o que já se vê em alguns outros estados", cobra Marinalva. Na última sexta-feira o grupo Matizes realizou a Parada da Diversidade e reuniu milhares de pessoas nas ruas do centro de Teresina, inclusive muitos políticos. Durante o mês de agosto, o Matizes fez campanha publicitária em que usou imagens de políticos e gestores públicos em outdoors na cidade, anunciando o apoio destes à causa.

De acordo com a coordenadora do Matizes, uma das políticas necessárias é a implantação do registro social, no qual uma pessoa travestida possa usar um nome diverso do registro civil, como nas cadernetas escolares e nos registros de hospital sem ser discriminada. "Uma pessoa travestida do gênero feminino, mas com registro civil masculino passa por situações vexatórias quando numa lista de freqüência escolar é chamada pelo nome masculino, incluindo aí os constrangimentos, nas filas de hospitais, nas clínicas médicas, em vários lugares. Esse registro em nada onera ao estado e é importantíssimo para o grupo", afirma.

O grupo Matizes contesta o preconceito e a homofobia dos candidatos, o que, na visão dos militantes é receio de perda de votos dos segmentos tradicionais e patriarcais da sociedade. "Nossa orientação aos eleitores da base do GLBTT é que eles sejam bastante criteriosos, que votem em candidatos que respeitem a diversidade e a sociedade", declara. Marinalva acrescenta que nesse pleito eleitoral concorrem muitos candidatos do segmento GLBTT que não assumem sua condição por medo de represálias. "Nós não somos a favor da ditadura do assumimos, mas alguns candidatos não enganam ninguém, assumidos temos pouquíssimos", condena Marinalva Santana. (I.C)

Diário do Povo-PI/TvCanal13.com
31/08/2008 06:36h
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