O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado nas pegadas do escândalo do mensalão, tornou-se cabo eleitoral de José Sarney (PMDB-AP).
Na briga pela presidência do Senado, Jefferson joga no time de Renan Calheiros (PMDB-AL), o centro-avante da candidatura de Sarney.
Presidente do PTB, Jefferson move-se para despejar os sete votos da bancada de senadores da legenda no colo de Sarney.
No momento, Jefferson sua a camisa para virar a cabeça de três senadores petebistas que prometeram voto a Tião Viana (AC), o candidato do PT.
Tenta-se evitar também que Fernando Collor (PTB-AL), supostamente indeciso, ceda ao assédio do candidato petista.
Chama-se Gim Argello (DF) o operador de Jefferson. É o líder do PTB no Senado. Alega nos subterrâneos que a opção por Sarney é respaldada pelo Planalto.
Argello diz aos companheiros de bancada que não recebeu do ministro José Múcio, coordenador político de Lula e filiado ao PTB, nenhuma orientação em contrário.
Afirma, de resto, ter ouvido da própria ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a presidenciável de Lula, algo assim: "Qualquer decisão que vocês tomarem será boa".
Argello mora no Lago Sul, bairro chique de Brasília. Sua casa fica na vizinhança da residência oficial de Dilma.
Adepta das caminhadas matinais, a ministra por vezes encontra-se com o líder do PTB, um "atleta" de ocasião.
Se verdadeira, a frase que Argello atribui a Dilma funciona como evidência de que o Planalto jogou Tião Viana aos leões.
O grupo de Renan difunde nos corredores do Senado a "notícia" de que Sarney já disporia de 58 votos. Mas a disputa tem os contornos de uma guerra.
Fechada com Sarney, a direção do DEM intimou uma senadora licenciada a reassumir o mandato em 30 de janeiro, dois dias antes da eleição.
A convocada se chama Maria do Carmo. É senadora por Sergipe. Afastara-se por problemas de saúde.
Embora não esteja inteiramente restabelecida, Maria do Carmo voltará ao Senado para desalojar o suplente Virgínio de Carvalho (PSC-SE), um eleitor de Tião Viana.
Entre todas as legendas, a mais disputada é o PSDB. Com 13 senadores, o partido tornou-se o fiel da balança na queda-de-braço pelo comando do Senado.
A bancada tucana está dividida. Pelo menos seis senadores pendem para Tião. Mas a direção deliberou que, seja qual for a opção, a legenda terá de votar unida.
O líder Arthur Virgílio (PSDB-AM) opera em favor de Sarney. Tião associa os esforços brasilienses a investidas que extrapolam os limites do Senado.
O candidato petista acinou o irmão Jorge Viana (PT), ex-governador do Acre. Ele tem ótimo trânsito com os tucanos.
Tem diálogo fácil especialmente com o governador tucano de Minas, Aécio Neves, e com o ex-presidente FHC.
Conversou com ambos. E disse ao irmão não ter detetectado sinais de aversão ao nome dele.
De resto, o próprio Tião esforça-se para estreitar relações com tucanos e 'demos' ilustres. Há dois dias, falou por telefone com o presidenciável José Serra.
Nesta quarta (22) tocou o telefone para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Deixou recado.
Kassab devolveu a ligação. Mas alcançou Tião num instante em que o candidato embarcava num vôo de Brasília para o Acre. Devem se conversar nesta quinta (23).
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