A Região Nordeste apresenta aproximadamente 27% da oferta nacional de mão-de-obra desconectada dos requisitos demandados pelos empregadores. Perde apenas para o Sudeste, com quase 50% do total de 7,5 milhões de trabalhadores com baixa ou sem qualificação e experiência profissional no País. É o que mostra estudo realizado em 2007 pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Em resumo, somente 18,3% do total das pessoas que procuram por trabalho no Brasil apresentam condições adequadas para imediatamente atender ao perfil dos empregos atualmente abertos no País.
O levantamento, denominado ´Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil em 2007´, constata maior carência de mão-de-obra na indústria. Ou seja, o setor é responsável pela demanda mais elevada do contingente de trabalhadores qualificados e com experiência profissional que a oferta atualmente disponível na condição de procura por trabalho. A pesquisa foi elaborada por André Campos e Ricardo Amorim, sob a coordenação do economista Márcio Pochmann.
No Nordeste, alguns subsetores industriais demandam trabalhadores com qualificação e experiência. A indústria de têxtil/vestuário/calçados nordestina, por exemplo, registra a falta de 7.981 trabalhadores com o perfil atualmente exigido pelas empresas. Na extrativa mineral, por sua vez, há falta de 4.164 profissionais qualificados, seguindo-se das indústrias de produtos mecânicos (-1.694), de produtos de transportes (-1.162) e de produtos minerais metálicos (-1.026).
Carência confirmada na prática pelas empresas que fazem parte da Associação Brasileira da Indústria de Vestuário (Abravest): encontrar gente para fazer peças tem sido um problema. Em todo o País, há 15 mil vagas abertas para costureiras. São Paulo, Minas Gerais e Ceará são os Estados com maior concentração de vagas. Precisa-se de pessoal qualificado, capaz de fazer peças de maior valor agregado para que os confeccionados brasileiros possam concorrer com os têxteis chineses, com preços acessíveis e qualidade duvidosa.
O economista Pedro Jorge Ramos Vianna, coordenador da Unidade de Economia e Estatística do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (Indi), da Federação das Indústrias do Estado (Fiec), reforça que a indústria, de um modo geral, está mais exigente quanto ao perfil dos profissionais. ´Tanto que os cursos de capacitação e qualificação ofertados pelo Senai estão mais sofisticados, abordando novas áreas, incluindo as tecnológicas´, afirma ele, acrescentando que o trabalhador deve investir num curso de qualificação.
O coordenador de Educação do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), João Nogueira, também afirma que o mercado está sempre em busca de profissionais qualificados. Entenda-se: com experiência anterior, mais anos de estudo e competências comportamentais. ´Por uma questão financeira, as empresas querem profissionais já formados, que serão absorvidos imediatamente, ampliando a produção. Não há tempo hábil para formar esse trabalhador já na fábrica ou na loja, por exemplo´, diz.
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Mauro Veras