Uma tremenda atração para quem for ao reformado Estádio Bezerrão - e garantia de dribles, boas jogadas, passes de efeito. Na Copa dos Campeões passada marcou 8 gols e levou o Manchester ao título. Na temporada 2007-2008 do Inglês, em que também levantou a taça, fez 31, tornando-se um dos maiores artilheiros da história do país numa edição. Na festa de gala de 12 de janeiro, em Zurique, dificilmente perderá o prêmio de craque do ano da Fifa. Sobrou em relação aos principais concorrentes, Messi, Kaká...
O próprio Ronaldo, aliás, tem convicção disso. "Sou o primeiro, o segundo e o terceiro do mundo", disse, bem-humorado, em tom de brincadeira, no domingo, 16, em entrevista exclusiva ao Grupo Estado, por telefone, diretamente de Lisboa, de onde embarcará para o Brasil na manhã desta segunda-feira - a chegada da delegação portuguesa está prevista para esta noite. "Fiz tudo o que era necessário neste ano e quero fazer mais, ganhar tudo o que puder."
Como é jogar pela primeira vez no Brasil?
É gratificante, é muito bom jogar no País onde o futebol é tão forte e tem bastante mídia, torcida, embora seja apenas um amistoso.
O Brasil perdeu os últimos dois amistosos para Portugal (2003 e 2007) e não vem jogando bem desde a Copa do Mundo. Acha que os brasileiros caíram, não são mais tão fortes, ou apenas passam por uma fase ruim?
Não, o Brasil tem, sem dúvida, os melhores jogadores do mundo. A seleção de vocês é excelente, os resultados ruins às vezes ocorrem mesmo.
Acha que fez tudo o que podia neste último ano para ser o melhor do mundo?
Penso que fiz tudo o que era necessário fazer e quero continuar fazendo mais. Meu objetivo é ganhar tudo o que vier pela frente.
Quem são, na sua visão, os três melhores jogadores do mundo hoje?
Sou o primeiro, o segundo e o terceiro (risos)... Mas há outros bons candidatos, como o Kaká, o Messi e o Torres (Fernando, espanhol).
Pelé disse, recentemente, que entregou no ano passado ao Kaká o prêmio de melhor do mundo e que agora espera entregar a você, que é o melhor atualmente...
Isso representa muito para mim, foi o grande jogador do futebol mundial. Foi uma sensação especial, para mim, ouvir isso do Pelé.
O que espera de Brasil x Portugal?
Esperamos ganhar a partida... Mas sabemos das dificuldades. O Brasil tem ótimos jogadores. No meu modo de ver, vocês podem montar pelo menos duas grandes seleções.
Os grandes atletas jogam demais e têm pouco descanso. Você tem prazer em jogar pela seleção?
Tenho um enorme orgulho, sim, de jogar pela seleção. Realmente temos muitos jogos, três por semana, é complicado, cansativo, mas gosto de defender a seleção.
Além do futebol e do carnaval, o que conhece do Brasil?
Já estive aí algumas vezes, nunca para jogar. Adoro passar férias no Brasil, tem praias lindas, o povo é simpático. Na Inglaterra, pego até um canal brasileiro na televisão, assisto ao noticiário de vez em quando, mas, além disso, não tenho muito conhecimento.
Muitas crianças no Brasil são suas fãs. Como espera a recepção no País?
Tenho muitos amigos brasileiros e sei que tenho fãs por aí. Quero chegar e ver os meninos, é gratificante ver a admiração de tantas crianças.
Também faz sucesso com as mulheres...
Ah, estou preparado para o assédio, já estou acostumado a isso, aqui também é assim. É um jogo amistoso, uma boa oportunidade para descontrairmos.
A torcida na Inglaterra é muito fanática. Como lida com isso?
Os ingleses vivem muito o futebol, é uma cultura diferente. Isso é bom para o jogador, é motivante jogar em casa, sempre com grande público.
O Felipão fez bom trabalho em Portugal. Saiu e, nos últimos meses, a seleção caiu. O que acha dele?
O Felipão é um grande amigo. Sinto muito que ele tenha deixado Portugal, teve uma excelente passagem. Adorava trabalhar com ele. O professor Queiroz (Carlos, atual técnico de Portugal) ainda não teve muito tempo para desenvolver seu trabalho. Há dois anos, a Inglaterra também teve problemas e depois se recuperou. É uma fase a que as grandes seleções estão sempre sujeitas. Vamos nos recuperar.
Quem é o Cristiano Ronaldo fora do campo, o que gosta de fazer?
Adoro ir ao cinema, ficar com a família, passear, ir a restaurantes. Às vezes, quero ir a algum lugar, mas não consigo. Nossa vida é muito corrida. Mas o que mais gosto mesmo é de jogar futebol.
No início da carreira driblava muito, mas não era tão objetivo, não fazia tantos gols. Percebeu que era necessário mudar seu jogo?
Olha, meu objetivo, sinceramente, nunca foi fazer gols. Gosto de jogar para a equipe, o que mais quero, mesmo, é ganhar jogos. Mas, se os gols aparecerem, melhor ainda. Estou tendo a sorte de marcar muitos gols e espero que as coisas continuem assim.
O Robinho chegou recentemente à Inglaterra (Manchester City, no início desta temporada). Acha que vai se dar bem por aí?
É um jogador de excelentes qualidades, mas não teve sorte em Madri (no Real), não foi bem. Penso que pode se sair bem aqui, gosto de vê-lo jogar.
A crise econômica afeta o mundo todo, a Europa e, claro, a Inglaterra, assim como o futebol no país. Vocês, jogadores, conversam sobre isso ou esses problemas não chegam até vocês?
A situação tem de preocupar a todos, sim. Estamos preocupados e sentimos uma certa desconfiança (em relação ao futuro). Conversamos sobre isso, faz parte da nossa realidade, mas acreditamos que as coisas vão melhorar.
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Mauro Veras