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Terremotos são freqüentes no Nordeste

Um fenômeno que, até então, parecia estar restrito a outros países está tirando o sono de muitos brasileiros. Com o terremoto de 4,9 graus na escala Richter, que vitimou uma criança de cinco anos, na comunidade de Caraíbas, na cidade de Itacarambi, em Minas Gerais, foi ligado o alerta de que o Brasil está suscetível a abalos sísmicos de maior intensidade. Apesar desse ter sido o primeiro caso com registro de morte, várias cidades brasileiras já tiveram o solo estremecido por terremotos.


Segundo sismólogos, são os nordestinos os que mais sentem o chão tremer no Brasil. A Região já registrou sismos históricos, como o de Pacajus e Cascavel, no Ceará, em 1980, que atingiu 5,2 de magnitude – o que é considerado moderado, numa escala que vai até 10 – e o de João Câmara, no Rio Grande do Norte, em 1986, que atingiu 5,1. E a terra não parou de tremer no Nordeste. Atualmente, abalos entre 1,5 e 2,0 graus têm sido percebidos nas cidades de São Caetano e Caruaru, em Pernambuco, Cascavel e Jaguaribara, no Ceará, e Tabuleiro Grande, Apodi e Luís Gomes, no Rio Grande do Norte.


“A maior atividade sísmica do Brasil é no Nordeste, sobretudo no Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Recôncavo Baiano”, atestou o coordenador do laboratório sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Joaquim Mendes Ferreira. Em Pernambuco, a explicação para os tremores está numa falha geológica denominada Lineamento Pernambuco, uma espécie de cicatriz que vai do Recife a Ouricuri, no Sertão. No restante do Nordeste, o que acontece é uma correlação entre geologia e atividade sísmica. “Existem forças vindas do interior da terra que atuam nas zonas de fraqueza. O problema é identificar essas zonas de fraqueza”, colocou o especialista. Fatores externos, como construção de barragens e exploração de minérios, também podem induzir tremores.


Os terremotos têm estremecido a rotina da comunidade do Sítio Arara, a cerca de dez quilômetros do Centro de Luís Gomes, no Oeste do Rio Grande do Norte. Relatos dos moradores dão conta de que os tremores têm ocorrido, praticamente, todos os dias, desde setembro. “Já ouvi duas vezes um tremor de terra. Quem mora mais perto do local diz que continua tendo. É difícil ter dia para não dar de dois a três”, testemunhou o agricultor Nivaldo Francisco da Silva. Aos 60 anos, Seu Nivaldo sabe bem o que significa o estrondo. “É um barulho como se fosse trovão, mas esse a gente sente que vem de baixo do chão”, explicou.


O pouco conhecimento sobre os terremotos tem provocado reações divergentes nos moradores. “Eu não me preocupo porque já teve mais forte que esse em outras cidades. Mas tem uma mulher que mora aqui perto que fala até em sair da casa dela com medo”, contou Nivaldo. A própria Prefeitura do município reconheceu que não sabe o que dizer à população, nem mesmo conhece que procedimentos tomar em caso de um tremor mais forte. “(A Prefeitura) não está preparada e nunca espera isso (o pior) acontecer. Teria que ter um técnico para orientar. Não saberemos o que fazer se tiver alguma coisa pior. A Defesa Civil não esteve aqui nem para vistoriar as casas”, reclamou o assessor jurídico da Prefeitura de Luís Gomes, Aguinaldo Fernandes.


O problema, segundo especialistas, é que não há como prever quando vai acontecer um terremoto, nem mesmo qual será a magnitude do sismo. “O que sabemos é que, em todo lugar onde já ocorreu, pode voltar a ter, só não se sabe quando nem qual a magnitude”, afirmou o professor João Mendes Ferreira.


A primeira atitude para se prevenir um desastre é não subestimar o fenômeno. “Como não sabem quando pode acontecer um, as pessoas não consideram o assunto prioritário e nós não temos como pressionar uma atitude. Nenhuma atividade sísmica deve ser desconsiderada. Não queremos que as pessoas fiquem preocupadas, mas existem milhares de sismos catalogados no Brasil e isso é um fato que não se pode negar”, avisou o geólogo, geofísico e especialista em sismologia, Alberto Veloso.


Para o especialista, os brasileiros têm contado com a “benevolência da natureza”, por não serem comuns os registros de vítimas dos terremotos. A maioria dos sismos tem sido sentida em áreas descampadas ou de baixa densidade demográfica. “No Brasil, já houve sismos de 5,5 a 6,5 graus de magnitude, que ocorreram ou no mar ou em lugares desabitados. Mas, se tivessem sido em cidades, teriam feito muito estrago”, disse Veloso.


No Nordeste, os abalos atuais têm causado mais medo que danos físicos. No entanto, em João Câmara, em 1986, os estragos foram reais. Cerca de 4 mil imóveis ruíram e várias edificações foram danificadas. Em Caruaru, várias casas apresentaram rachaduras por conta dos tremores que ocorreram em 2002. O maior terremoto já registrado no Brasil foi o da Serra do Tombador, no Mato Grosso, em 1955, que atingiu 6,6 pontos na escala Richter e foi sentido a 600 quilômetros de distância do epicentro.


Os terremotos são resultados da acomodação de camadas internas da crosta terrestre. Quando essa acomodação acontece, são emitidas vibrações para a terra, produzindo tremores. Essa acomodação acontece após o movimento das placas tectônicas. O Brasil está no centro de uma placa, a Sul-Americana, e sofre reflexos desses movimentos. “As regiões longe das bordas da placa sofrem esforços geológicos que vêm dessas placas. É como se alguém empurrasse uma mesa e o seu esforço fosse transmitido para dentro dela”, explicou o sismólogo Alberto Veloso.

Jornal da Paraíba
17/12/2007 23:36h
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