Por mais que nós, como pais e educadores, sejamos cuidadosos e em vez de dizer “não gosto, está feio, está errado, não gosto de vocês”, nos esforcemos para constantemente repetir: “eu adoro vocês, eu amo vocês”. Por mais que se acentue: “eu fico chateado quando você faz uma coisa assim, mas eu não deixo de gostar de você”, e embora sempre ressalvemos para evitar abalar a auto-estima deles, a escuta das crianças inevitavelmente passa pelo não gostar. Faz parte da nossa cultura, da sociedade, da vida em comum, dos seres humanos, da existência da razão que vê o futuro, não podemos nos queixar disso. Essas lesões na auto-estima são o ônus de se ter uma razão e o que podemos fazer é procurar minimizar isso.
Auto-estima: Filho mais velho em geral sofre maisMas está lá, não tem jeito. E há crianças que são extremamente sofridas com essa obrigação de ter de fazer tudo certo. Geralmente são os filhos mais velhos; os segundos já estão mais protegidos porque tem o irmão na frente errando e sofrendo com as responsabilidades.
Nesta relação, é de crucial importância o entendimento de que precisamos nos dar todas as oportunidades para tentar e experimentar, mesmo errando, e insistir em nossas tentativas e experiências enquanto for razoável acreditar nas possibilidades de se chegar ao sucesso. Esta é uma das chaves da auto-estima, pois o amor próprio se revigora nos momentos em que nos permitimos o esforço das tentativas, da busca, do aprendizado.
Generosidade do perdão e displicência vazia
Vale a pena ressalvar uma crucial diferença entre a generosidade do perdão e a displicência vazia de uma complacência que tudo aceita sem nada questionar. Importa distinguir o erro repetido e estagnado, do erro cometido em busca do acerto, do aprimoramento, a partir do qual se desenvolve um processo de crescimento. Assim, quando por detrás do erro está o empenho e a procura, deve haver uma margem de aceitação dele, de tolerância para com suas conseqüências negativas, pois daí pode advir o mais positivo de todos os resultados – a evolução, mola fundamental do processo de vida. Este tipo de erro precisa ser bem recebido, pois, no longo prazo, dele resulta o bem.
Quem tem boa auto-estima em geral é altruístaMuitas pessoas confundem atitudes de egoísmo com auto-estima. Há uma diferença enorme entre uma e outra forma de sentir e de se comportar. Geralmente, a pessoa egoísta se comporta assim exatamente por falta de auto-estima. Na maioria das vezes, o egoísmo é um pobre e insatisfatório substituto de um sentimento real de auto-estima. As pessoas bem dotadas de auto-estima costumam ser generosas, solidárias e altruístas, comportando-se de uma maneira oposta ao comportamento do egoísta. Este, por insegurança ou por ganância, sente necessidade de dar excessiva atenção às suas necessidades e aos seus desejos. Ansioso, procura atender seus interesses colocando-os à frente de qualquer outra coisa.
Neste momento é que podemos perceber com clareza pessoas que primam pela generosidade e pelo altruísmo, abrindo mão de vantagens para beneficiar os outros. Estas pessoas geralmente estão tranqüilamente felizes, por desfrutar de uma boa auto-estima, e podem, sem sofrimento, abrirem mão de alguma satisfação ou prazer para beneficiar outro mais necessitado ou carente. É como alguém que, por ser suficientemente abastado, pode ser dar ao prazer de ajudar os outros. Quem tem elevada auto-estima possui uma riqueza interior que lhe permite ser dadivoso sem se considerar prejudicado.